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Mudança de atuação nas quadrilhas de roubo de cargas - roubo e desmanche de caminhões

25/11/2011

Srs,

Temos acompanhado pela imprensa uma mudança no modus operandi de algumas quadrilhas de roubo de cargas no Estado de São Paulo, especificamente nas que atuam nas marginais e região da cidade de Guarulhos/SP, mas que vem se estendendo para o interior, dada a qualidade da malha viária que permite alta mobilidade.

Essas ocorrências se limitavam até pouco tempo a trechos de rodovias no sertão da Bahia e interior mais remoto do país, onde os caminhões eram desmanchados e transformados em “gaiolas” para transporte de toras de madeiras e outras aplicações.

Como todos sabem, os processos de gestão de riscos sempre focaram a carga como alvo maior da ação dessas quadrilhas, pois embora os autocargas (cascos) fossem por vezes levados pelas quadrilhas, logo eram abandonados. Sendo assim, as atuações das gerenciadoras de riscos, direcionam seus trabalhos apenas na “perna” em que o casco esteja carregado, sendo retirado o sinal dos autocargas logo após o descarregamento por determinação das próprias transportadoras. Isso gera economia nos custos dos sinais para alguns, porém esses veículos permanecem no escuro para a empresa, permitindo esse tipo de ocorrência.

Em que pese os fatos registrados terem acontecido com os caminhões carregados, isso não nos trás luz ao problema, pois na verdade temos frotas sendo roubadas quando vazias mas que não estão sendo vinculadas às quadrilhas de roubo de cargas e entram para as estatísticas apenas como FURTO DE VEÍCULO, enganando e deturpando os dados. Outra dificuldade que gera campo de atuação das quadrilhas é a falta de dados sobre esses eventos. Em rápida pesquisa na internet, conseguimos até o modelo de veículos de passeio de maior incidência de roubo no país, mas para caminhões isso inexiste ou não é fácil de ser encontrado. Nós não encontramos.

Outros transportadores, apóiam sua logística de distribuição nos rastreamentos, flexibilizando a frota de acordo com sua demanda operacional, permanecendo mais tempo com os sinais abertos, permitindo maior controle sobre seu ativo.

O que temos visto agora é um aumento da chamada ação “DOIS EM UM”, como podemos ler na matéria abaixo. Nessa modalidade criminosa, as quadrilhas estão se apoderando da carga e do casco simultaneamente. Como podemos ler na matéria postada, esses caminhões retornam ao mercado nas mãos de terceiros que podem ser de boa fé (comprador de caminhão em lojas de revenda) ou não (membros da quadrilha ou conhecedores do ato criminoso).

De qualquer forma, isso nos mostra, em um raciocínio leve, que a mudança pode ser em função da falta de caminhões no mercado. A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logísticas (NTC&Logística) em matéria publicada em http://www2.uol.com.br/interpressmotor/caminhoes/item35261.shl mostra que para um percentual elevado de transportadores, a falta de caminhões e motoristas é o maior limitador do crescimento do setor rodoviária de carga no Brasil, junto com a dificuldade de acesso a crédito.

O motivo pode ser também a crescente demanda por transporte de cargas rodoviárias, compra de peças usadas para reposição e manutenção de frota, a valorização da frota ativa pela falta mencionada acima e outras tantas.

Sendo assim, empresários do crime estariam lançando mão desse risco para atender suas demandas, o que fomenta a modalidade criminosa. Isso tende a reverter, assim que começarem a cair as primeiras quadrilhas e forem sendo entendidas a dinâmica desse crime, como nos mostra a matéria abaixo. Porém, passaremos por um período de aumento desses crimes até sua estabilização e conseqüente diminuição, como ocorre comumente em outras modalidades, o que nos permite considerarmos as seguintes ações, como importantes:

1. Acompanhamento dos autocargas em tempo integral (carregados ou vazios);

2. Treinamento aos motoristas para mudança de cultura com relação a condução do veículo vazio (normalmente ficam mais tranqüilos e menos atentos com os caminhões vazios);

3. Estudo da operação identificando, com base nos indicadores fornecidos, pontos de criticidade e apoios;

4. Estabelecimento de suporte 24 horas ao motorista em operação;

5. Auditorias de processo, mediante emprego de AR, nos dois sentidos;

6. Efetivo monitoramento da frota e não apenas na perna carregada;

7. Estabelecimento de pontos de apoio ao motorista devidamente homologados;

8. Outras medidas que podemos discorrer em reunião oportuna.

Fato é que haverá impactos no setor, que devem ser rapidamente medidos e minimizados para impedir danos maiores.


A Origem® Consultoria em Gestão de Riscos se coloca a disposição dos interessados para detalharmos planos de ações específicos para cada operação.


*Gutemberg Martins é Gestor do Grupo Origem®

 
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