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Teste de pedágio terá tags gratuitos na região

04/11/2011

O governo do Estado vai distribuir gratuitamente 1 milhão de tags para os testes de cobrança de pedágio por quilômetro rodado, que começam em janeiro de 2012 entre Sorocaba e Campinas, na Rodovia Santos Dumont (SP-75). A adesão ao sistema será opcional durante o período de testes e prevê reduzir, por exemplo, de R$ 10,10 para R$ 4,10 (-59,4%) a tarifa para quem percorre os cerca de 29 km entre Campinas e Indaiatuba.

Pelo novo sistema, implantado em parceria com a concessionária Rodovia das Colinas, o usuário que trafega com carros de passeio vai pagar R$ 0,14 por cada km que rodar nela. O valor é o mesmo usado como base para calcular as tarifas que estão em vigor nos pedágios tradicionais. O que vai mudar é a forma de cobrança, que passa a ser proporcional ao uso da estrada. Quem andar 10 km entre os pórticos de leitura das tags vai pagar R$ 1,40. E assim sucessivamente. Quem percorre todo o trecho entre Campinas e Sorocaba vai pagar os mesmo R$ 10,10 de hoje. Quem vai de Sorocaba a Salto, no entanto, vai passar a ser cobrado.

Poderão participar dos testes os veículos com placas de Indaiatuba, Campinas, Salto, Itu, Cabreúba, Porto Feliz e Sorocaba. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), em janeiro deve começar a fase de cadastramento dos motoristas. A previsão é que em fevereiro comece a operação com os veículos de passeio. Em março, com caminhões. A intenção é de que o projeto seja implantado, após os testes, nas demais rodovias do Estado.

Segundo Karla Baitocco Trindade, de 34 anos, diretora geral da Artesp, serão investidos R$ 22 milhões no sistema, que deve fazer os testes pelo período de um ano. O dinheiro será usado para instalar 18 pontos de monitoramento das tags — nove no sentido Campinas-Itu e nove no sentido inverso. Alguns desses pontos de controle serão colocados em pórticos instalados especialmente para esta finalidade. Outros vão estar em placas de informações da concessionária que administra a via, por exemplo.

“Não vamos testar a tecnologia, que já está aprovada em estudos que já realizamos. O que vamos testar agora é a aplicação prática da coisa, como ela funciona, quais as dificuldades, como deve ser a melhor forma de operação. E a adesão dos usuários”, disse Karla.

A região de Campinas foi escolhida como piloto para os testes por ser reconhecidamente uma espécie de “ilha” de cobrança de pedágio. São ao todo 23 praças. Se um motorista resolvesse passar por todas elas em uma mesma viagem pagaria R$ 130,60 — valor que ficou caracterizado como a “cesta de pedágio” da região de Campinas. Com tudo isso, foi em cidades como Jaguariúna e Indaiatuba que surgiram os principais movimentos contra o sistema de cobrança e pedindo ações do governo para reduzir as tarifas. O assunto se transformou em uma das principais bandeiras de campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo do Estado.

Alckmin irá anunciar as mudanças em solenidade nesta sexta-feira (4/11) no Palácio dos Bandeirantes. Ele também vai anunciar a abertura de um pregão eletrônico para a compra dos tags.

Cobrança

Entre as novidades está o modelo de pagamento do “novo” pedágio. O sistema será pré-pago e prevê recarga inicial mínima de R$ 20,00 para carros de passeio e de R$ 40,00 para caminhões. A partir da segunda carga, o sistema deixa de ter um limite mínimo e o usuário pode inserir o valor que preferir. Serão instalados postos de recarga ao longo da rodovia e será disponibilizado um site na internet com o mesmo serviço. A cada recarga, haverá a cobrança de uma taxa no valor de R$ 1,00. O tag será parecido com o já utilizado pelo sistema Sem Parar, porém em menor tamanho.

“As tecnologias de cobrança deles são completamente diferentes. Nosso tag é mais barato e provisório. Ele será substituído por adesivos com chip”, disse a diretora.

Além baratear o custo de quem viaja entre Campinas e Indaiatuba, o novo sistema vai criar um novo contingente de pagadores de pedágio. São usuários que hoje estão livres da cobrança por percorrerem trechos, por exemplo, como entre Sorocaba e Salto, onde não há cabine de cobrança. Esse motorista passará a ter que pagar, mas apenas quando o sistema estiver efetivado. Na fase de testes ele não é obrigado a instalar a tag. Só vai, então, pagar se quiser. E estas pessoas não estão felizes com a notícia.

“Não é bom saber que vou ter que gastar com pedágio para ir de Salto até Sorocaba. É mais uma despesa, enquanto os meus rendimentos continuam iguais”, disse o representante comercial Carlos André Batista. Ele diz que não vai instalar o tag durante os testes.

Ao contrário de Batista, o funcionário público Mário Henrique Camargo, que mora em Indaiatuba, comemora a decisão. Ele afirma que deixou de passear em Campinas com a família devido ao preço “salgado” do pedágio. “Gasto R$ 20,20 só de tarifa. É muito abusivo. Agora, com o preço mais baixo, dá para andar mais vezes pelos shoppings”, disse. A Rodovia das Colinas preferiu não se pronunciar hoje sobre o assunto.

Economia

Hoje, quem viaja entre Campinas e Indaiatuba com um veículo que roda 10 km com um litro de gasolina gasta na viagem, de 29 km, cerca de três litros de combustível, ou cerca de R$ 7,80 (preço médio de R$ 2,60 por litro encontrado em postos de Campinas ontem). Somado ao custo com o pedágio atual, de R$ 10,10, a viagem gera uma despesa de R$ 17,90. A partir das mudanças, ela vai cair para R$ 11,90.

Se considerado o trajeto de ida e volta para um motorista que percorre o trecho cinco vezes por semana, a economia vai chegar a R$ 120,00 reais por mês. Com esse valor o usuário da rodovia vai deixar de gastar R$ 1,44 mil por ano.

Fonte: RAC

 
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