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Em busca de qualificação, motoristas de caminhões voltam à sala de aula

13/10/2011

Felizmente, algumas áreas ainda não sentiram os efeitos da crise. O de transporte de cargas por rodovia é uma delas. Na verdade, o setor enfrenta até um apagão de mão-de-obra. Entidades do setor calculam que existam 40 mil vagas abertas para motoristas de caminhão no país. Mas, para dirigir uma máquina dessas nos dias de hoje, não basta só tirar a carteira de motorista.

O encarregado de frota Anderson Alves Lourenço, aos 28 anos, já perdeu as contas de quantos quilômetros rodou pelo país. “Para conseguir ser um bom motorista e um bom profissional, tem de ser dedicado e gostar muito”, comentou o encarregado de frota Anderson Alves Lourenço.


Mas ele é uma exceção. A maioria dos motoristas profissionais do Brasil tem mais idade e tempo de trabalho. É gente que está deixando o mercado. “O número de empresas e segmentos é muito grande, e o número de profissionais vai diminuindo a cada ano que passa. Não vai se formando no mesmo volume que vão se aposentando”, afirma o gerente de RH, Alexandre Marron.


Repor esta mão-de-obra é uma preocupação para um setor estratégico da economia. Ao todo, 60% das mercadorias que circulam pelo Brasil são transportadas por rodovias. O crescimento dos últimos anos fez aumentar ainda mais a procura por este profissional. Só que hoje as empresas de transporte exigem muito mais do que experiência na estrada.


Além do cuidado ao volante, o motorista tem de entender também de tecnologia. Hoje a maioria dos caminhões é monitorada via satélite e, por isso, eles são equipados com computadores. Em um deles, por exemplo, até para abrir as portas é preciso saber usar o aparelho. Este é um dos motivos da falta de mão-de-obra para assumir o comando dos “gigantes”.


“Existem muitos motoristas com mais idade que hoje estão fora do mercado exatamente pela dificuldade de buscar essa qualificação”, diz Rosane Confortini, coordenadora de treinamento do Sest-Senat.


A estimativa da Confederação Nacional de Transportes é de que existam 40 mil vagas abertas para motoristas profissionais em todo o Brasil. “O profissional que está qualificado e com a prática necessária para viajar nesse país tem o emprego imediato”, calcula Kagio Miura, diretor do sindicato das transportadoras.


É por isso que motoristas estão trocando a estrada pela sala de aula. “Vendo que o país está em expansão e está crescendo bastante, com profissionais cada vez mais qualificados, vim buscar mais conhecimento na área”, comenta o aluno Márcio Fernandes.

Quem é novato nesta área pode conhecer de perto o futuro instrumento de trabalho. “Gostaria muito de, assim que terminar o curso, já estar empregada. Vou me empenhar muito”, espera a aluna Elisabete Goda.

O Serviço Nacional de Transportes pretende formar em um ano 67 mil motoristas. Há vagas em 138 unidades em vários estados. Para ser um motorista profissional, é preciso ter habilitação especial nas categorias D ou E.

Fonte: Globo.com

 
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