Caminhões terão tecnologia que reduz emissões
A partir de 1 de janeiro do ano que vem, os ônibus e caminhões fabricados no Brasil terão que contar com uma tecnologia de redução de emissões. O diesel vendido para esses veículos também terá que ser menos poluente. As determinações fazem parte da sétima fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve P7), criado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Com as mudanças, as emissões liberadas pelos caminhões nacionais serão equivalentes às dos veículos de países europeus (Euro5). A partir do próximo ano, para abastecer os modelos adaptados às exigências da nova norma, a Petrobras vai distribuir o diesel S-50 (com 50 partes por milhão - ppm - de enxofre). Atualmente, é fornecido no País o diesel metropolitano (para os grandes centros urbanos), com 500 ppm, e o diesel interior (para as demais regiões), com 1.800 ppm. Em 2013, será disponibilizado o diesel S-10 (10 ppm).
O Proconve P7 demanda a redução de 60% nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), que contribuem para a formação das chuvas ácidas, fumaça e névoa ou neblina. Alguns deles, como o dióxido de azoto, podem causar irritações nos pulmões e diminuir a resistência a infecções respiratórias como a gripe. A população mais suscetível a sofrer com esses poluentes são as crianças e os doentes com asma, enfisema, bronquite crônica ou outros problemas respiratórios. Além das reduções de material particulado e óxidos de nitrogênio, o Proconve P7 determina a diminuição de 18,5% nas emissões de monóxido de carbono (CO).
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Humberto Busnello, destaca que a regulamentação significará uma importante inovação para a cadeia logística. No entanto, ele adverte que essa modernização implicará aumentos de custos. “O segmento de cargas passará por um período de adaptação”, adianta Busnello. Apesar da perspectiva de maiores gastos, o dirigente não acredita que esse cenário impactará a competitividade do setor produtivo brasileiro.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), José Carlos Silvano, também manifesta preocupação quanto à elevação dos valores com os aprimoramentos tecnológicos. As estimativas das montadoras apontam para incrementos nos preços dos caminhões da ordem de 10% a 20%. Entretanto, eles deverão se tornar cerca de 5% mais econômicos em relação ao consumo de combustível.
Silvano cita que uma diferença que será percebida em muitos modelos será a necessidade da implantação de mais um tanque. O equipamento armazenará uma solução aquosa chamada de Arla 32 (32,5% de ureia diluída em água desmineralizada). O líquido permitirá uma reação química no catalisador e resultará na redução dos níveis de NOx e de material particulado. O presidente do Setcergs explica que para cada 100 litros consumidos de diesel serão utilizados cinco litros de Arla.
O dirigente esclarece ainda que os caminhões que circulam atualmente poderão usar o S-50, embora sem a redução de emissões esperada, e os novos veículos não poderão usar o diesel antigo, caso contrário, os equipamentos serão prejudicados.
De acordo com Silvano, uma apreensão dos transportadores é quanto à quantidade de postos de combustíveis que contarão com o diesel mais puro, e se será necessário importar algum volume do produto para atender às necessidades do mercado nacional. Ele aponta que as adaptações dos estabelecimentos e o fato de se tratar de um combustível mais limpo também resultarão em mais gastos. Por isso, o presidente do Setcergs defende que o governo tome as medidas para minimizar esse “custo social” e que ele não seja repassado aos empreendedores do setor.
Fonte: Jornal do Comércio - RS



