Explosivos usado em assaltos a caixa vêm do roubo de cargas
Se criminosos costumam seguir tendências, a última moda agora é usar explosivos para assaltar caixas eletrônicos. Só nesse ano foram mais de trinta crimes envolvendo dinamites, a maioria na Grande São Paulo. Nos ataques mais recentes, registrados entre a noite da última quarta-feira, dia 11 e a madrugada da quinta-feira, dia 12, mais três máquinas foram destruídas.
“Um criminoso copia o outro, é sempre assim. A marginalidade é cíclica e vai buscando alternativas. Essa nova onda de explosões se espalhou por todo o Brasil porque os grupos criminosos têm cada vez mais dificuldade de ter dinheiro em espécie para financiar o tráfico de drogas e a compra de armas, já que as pessoas usam muito mais os cartões”, explicou o especialista em segurança e pesquisador criminal Jorge Lordello.
Segundo ele, diante da reação do poder público e das empresas, que já adotaram sistemas de defesa (como o entintamento e a incineração das cédulas; assista ao vídeo abaixo), o custo-benefício desse tipo de crime deixou de ser lucrativo. “Depois dos sequestros, dos assaltos a joalherias e da gangue da marcha à ré, veio esse ciclo. Mas, ele deve se encerrar rapidamente porque os bancos já se protegeram.”
O especialista esteve na manhã da quarta-feira, dia 11, no local onde ladrões explodiram um terminal do Banco do Brasil na avenida Francisco Morato, na zona oeste da capital. Ele contou ao UOL Notícias que, pelos vestígios deixados pelos ladrões, era possível perceber que eles não sabiam usar a dinamite. “Normalmente acontece isso. Eles não têm domínio, fazem tudo sob pressão, usam uma quantidade de explosivos muito maior que a necessária, explodem coisas que não eram para explodir, não sabem lidar. Isso gera problemas para eles e por isso acho que é um crime que deve perder força”, disse.
Explosivos roubados
Para Lordello, os explosivos usados nos caixas eletrônicos são fruto de roubos de cargas. Ele ressaltou que o uso desse material é controlado pelo Exército e apenas algumas empresas, como as pedreiras, por exemplo, estão autorizadas a detonar dinamites. “Essas empresas devem ter uma estrutura de segurança maior para evitar os roubos de caminhões e das cargas. É preciso pensar em escolta, em carro blindado e estudar a segurança no armazenamento das dinamites para que não haja desvios”, defendeu.
No final do ano passado, foram registrados diversos roubos de cargas de dinamite em São Paulo. Em Jundiaí (SP), seis homens levaram 300 quilos do produto, mil metros de pavio e detonadores de explosivos de uma pedreira da região. Na capital, um caminhão com mais de duas toneladas de explosivos e detonadores também foi atacado. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, não há um levantamento do número de roubos envolvendo explosivos, mas desde o começo deste ano foram registrados 1.786 roubos de cargas em todo o Estado.
O especialista também ressalta que o foco dos criminosos é sempre o dinheiro vivo, então, mesmo que este ciclo de ataques com explosivos termine rapidamente, lotéricas e lojas com grandes quantias em espécie devem ser proteger.
Fonte: UOL



